A ARVORE DO DESCONEXO

05 AGO 2014
05 de Agosto de 2014


Sentado à sombra de uma arvore passaram-se por minha cabeça, várias ideias, algumas com nexos, outras sem nenhum, me vieram recordações, gostosas, saudáveis, tristes, enfim, das mais diversas, algumas folhas caíram com o vento que soprava sudoeste, o horário exato, eu não sabia, mas deveria ser umas cinco e pouco da tarde e me sentei ali por estar cansado, querendo ficar só por alguns momentos e como foi bom. 

O Sol já ia se pondo e o vento cada vez mais forte, como quem parecia trazer prenúncios de chuva mas só prenuncio porque as nuvens estavam bem claras, nem outras folhas que caiam em minha cabeça, me incomodavam, estava só calmo, tranquilo, sossegado, lembrei de tanta coisa boa, que me alegrava e eram tão simples, chutar aquela bola de capotão, ganhar cinco cruzeiros ou até um pouco mais do meu tio, jogar Ludo, Dominó então, nem se fala, ah e com aqueles cinco cruzeiros, ia voando na padaria, comprar um sonho, um pirulito e um guaraná, nossa isso me fazia parecer um milionário, adquirindo tudo que eu queria, porem, degustava minhas aquisições longe dos olhos de minha mãe, pois senão, ouvia aquele discurso: “Nada de comer antes das refeições”, porem eu como um bom filho, não a obedecia. Acho que para um bom filho a coisa mais gostosa é desobedecer a sua mãe, e fatos irrelevantes, nos dá um ar de poder, independência que depois, ao nos tornar pais, ficamos dependentes de nossos próprios filhos, irônico não? Dependemos da hora que saem, que chegam, dependemos do horário que eles tem de sair, com quem vão sair, tudo isso chamamos de preocupação mas é um pouco de dependência que vem anexado ao amor que sentimos por eles.

Lembrei também da primeira namorada, a primeira paixão e, consequentemente, da minha primeira desilusão, gritava a quem quisesse ouvir: “Não vou amar mais ninguém, meu coração vai virar uma pedra, etc., etc.” , até o dia seguinte, quando aqueles olhos lindos colidiam com os meus, e assim sucessivamente, de paixão em paixão, efêmeras ou não, cheguei à dona do meu coração aquela a qual viveria para sempre, jamais brigaríamos, discutiríamos, seriamos o casal exemplo para o mundo, até um belo dia que ouvi uma pergunta tenebrosa, fatal e que travou minha garganta: “Estou pronta, o que acha, estou bem?”, qualquer resposta seria inadequada e ainda, acompanhada ao tempo que levaria para dar, se demorasse muito, e dissesse sim, ela encararia como não, alegando que demorei muito para responder dizendo ter pensado muito, porque ela não estaria tão bem assim e, ao mesmo tempo, se respondesse sim, muito rápido, ela chegaria à mesma conclusão, alegando que respondi sim, muito rápido, pelo motivo da pressa e que na verdade ela não estaria muito bem vestida. Amigo, nunca nessas ocasiões, diga não e concorde com tudo que ela venha a alegar, caso contrario, você será vitima da famosa e tenebrosa DR.

Contudo, apesar de todos esses sobressaltos que a vida nos impõe, meus olhos se alagaram de alegria e meu coração saiu pela boca quando vi meu filho nascer, não há alegria no mundo que substitua esse momento, é único, singular, ainda que você tenha mais de um filho, todos terão momentos diferentes e singulares e digo mais, incomparáveis, só se contrapondo ao dia que você leva seu filho ao altar, porque daí em diante, ele só será seu filho em ocasiões especiais, porem o amor incondicional de ambos, é eterno, é como se tivesse gosto de algodão doce, o algodão se vai mas o gosto continua, aí você segue seu caminho, com sua, agora velha, companheira, de mãos dadas, ou sentado apenas ao pé da arvore, ouvindo o som do silencio, vendo a brisa te acariciar e podendo ter certeza de dizer tranquilamente, que a arvore que plantou, foi também cultivada por seus filhos, e o livro que escreverá, contará em maiores detalhes toda sua história e assim como eu, você poderá dizer de peito cheio e orgulhoso de si, uma frase simples e curta: “Eu era feliz e sabia”, não é mesmo, minha querida arvore?

 

Ernesto Vidoca - @dedevidoca –  @webtricolorfc - 05.08.2014

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