A MURALHA COSTA RICA

07 JUL 2014
07 de Julho de 2014

 

A Costa Rica caiu no grupo da morte, certeza de eliminação na primeira fase, mas sobreviveu a cada batalha. Dizem que a melhor defesa é atacar e a Costa Rica quebrou esse paradigma ao provar que o melhor ataque é se defender mantendo a calma.

Com a melhor campanha da sua história em Copas do Mundo, a Costa Rica veio com uma proposta de jogo diferenciada. O técnico Jorge Luis Pinto sincronizou o posicionamento de cada jogador em campo, estabelecendo loteamentos como espaços de jogo. 

Contra o Uruguai foi a primeira “zebra”, 3 x 1. Ninguém esperava, não vi esse jogo, logo estranhei o resultado e sequer imaginei que o Uruguai poderia perder para a Costa Rica.

Ao assistir o jogo contra a Itália, compreendi. Simplesmente me rendi ao estilo de jogo tão bem implementado. Vi Pirlo tentar jogar. E nunca havia visto tantas marcações de impedimento. A sintonia dos jogadores era perfeita, não tinha espaço para o adversário.

E o 0 x 0 contra a Inglaterra carimbou o passaporte dos ingleses de volta para casa com mais uma atuação genial dos latino-americanos.

E veio a Grécia nas oitavas-de-final. A resistente Costa Rica luta fortemente, não pela Grécia ter grande tradição, mas por se entregar e também jogar focada em vencer. Porém, somente isso não foi o suficiente para furar essa valente defesa. A Costa Rica passa nos pênaltis, com a mesma formação.

O caminho dos costa-riquenhos nessa Copa não foi nada fácil. Confesso que não sei se o Brasil passaria pelas fases tendo os mesmos adversários. E ainda mais chegando nas quartas-de-final contra a Holanda. Nesse jogo foi praticamente um ataque contra uma muralha de bloqueios. Bolas na trave, desarmes, faltas e defesas maravilhosas do goleiro Navas. O resultado foi 0 x 0, só que dessa vez a Costa Rica parou em Krul, o terceiro goleiro da seleção holandesa que entrou no último minuto da prorrogação e pegou dois pênaltis.

A seleção da Costa Rica encerra sua belíssima participação na Copa do Mundo de 2014 com a defesa menos vazada. E uma aula de disciplina tática e estratégia de jogo plenamente assimilada pelos seus jogadores, devidamente ensinada pelo seu técnico. Quando defender a formação era com 5-4-1 e atacar era 4-4-2, parecia mais o nado sincronizado, me encantava, me rendi e estou querendo um estágio para compreender melhor ainda como se faz essa obra de arte.

Futebol para mim não é esporte. Futebol é Arte!

Maria Silva - @masobasi - @webtricolorfc – 07.07.2014

 

 

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