SENNA FORA CENA - Veja o vídeo em nossa galeria de vídeos

02 MAI 2014
02 de Maio de 2014

É domingo, 1º de maio de 1994, há poucos momentos da largada do GP de Ímola, na Itália, uma câmera flagra nos boxes da Willians, Senna observa o carro com um olhar no infinito, talvez relembrando os dois acidentes na sexta, bem grave com Rubinho, e o fatal do austríaco Roland Ratzenberger, no sábado, houve até um movimento para o cancelamento da corrida mas, interesses financeiros, falaram e como até hoje, falam mais alto.

Os pilotos se alinham no grid, após a volta de apresentação e mais um pequeno acidente, entre J.J. Lehto e Pedro Lamy, o Safety Car dá uma volta em bandeira amarela, três avisos foram dados, para que aquele GP não entrasse na história da maneira que entrou, parecia que aquele olhar de Senna, para lugar nenhum, embora em direção ao carro, sua Willians Renault, diziam: “Não vamos correr hoje”, mas um herói, um ídolo, nunca foge.

Ayrton entrou em sua Willians, vestiu sua balaclava, ajustou seu capacete, abaixou suas viseiras e foi avante para tentar fazer o que fazia quase todos os domingos, dar um pouco de alegria aos brasileiros que esperavam ansiosamente por uma vitória de seu ídolo, um Dom Quixote do século XX, em uma das poucas e raras vezes em que o brasileiro sentia orgulho e nó na garganta quando via sua bandeira tremular no ponto mais do podium ao som do nosso hino, e não sentir vergonha perante o mundo, por ser brasileiro, porem, quis o destino, que naquele domingo, não haveria hino, nem bandeira, e nem haveria podium.

Sinal vermelho... Porem antes do final fatídico e o encontro com a curva Tamburello, Senna nos deu muitas alegrias, foi realmente um desses gênios que não vai ser substituído por outro, seus records ou suas marcas incomparáveis, para época, já foram batidos porque o mundo evolui, a tecnologia avança de maneira avassaladora e também devemos levar em conta de que essas marcas e records conquistados forma feitos para ser batidos, contudo, é preciso levar em conta como Ayrton os conquistou, era um mestre na pilotagem, como se dizia: “no braço” e não na pura tecnologia, como é hoje.

Ayrton começou entrar em cena, desde o polêmico GP de Mônaco, onde teve de dividir os pontos de sua primeira vitória correndo com sua Toleman com Alain Prost, em sua poderosa McLaren, a qual foi interrompida na 31ª volta em virtude de forte chuva, a partir daí, Senna se sentiu ungido pelas águas que caiam do céu, pois a partir de então, ganha carinhosamente o apelido de “pato”, pelo fato de ter um desempenho extraordinário debaixo d’agua, e foi assim que começou sua brilhante carreira em Portugal no GP de Estoril, com a Lótus amarela, já em decadência, tempos depois, transferia-se para a forte McLaren.

Nosso piloto virava referência, pois fosse qual fosse o País onde competisse, conquistava torcedores locais não só pela sua pericia como profissional e esportista como também era dono de um grande carisma pessoal, não tinha medo do improvável e seu maior adversário, acreditem ou não, era ele mesmo, este homem, chegou ao ponto de concorrer com o impossível, em várias vezes, conseguindo vencer de maneira épica, quando disse que era referencia, não disse que era apenas para um País, e sim para o mundo, pois uma de suas maiores peripécias foi completar uma corrida com apenas a sexta marca, e era câmbio, não botão, porem, a cena, de que a maioria dos aficcionados em formula 1, nunca esquecerão, foi a disputa árdua e imensamente perigosa, no GP de Hungaroring, onde em uma grande reta, Senna e Piquet, alteram o primeiro lugar por cinco vezes, Senna com McLaren e Piquet com sua Benetton.

De volta a 1994, as luzes vermelhas se acendem, são 09:06 hs, queríamos que essas cores parassem a corrida, porém, ela se inicia, e na sétima volta, em uma curva que qualquer piloto, principalmente nosso gênio Ayrton, faria, com os olhos fechados, Ayrton, dessa vez, antes da curva, fecha os olhos, e infelizmente há vinte anos, sai de cena o nosso Senna, um dos poucos dias de nossa história em que todos, de todos os times, credos, raças, deram as mãos e choraram um único choro, o nosso “da Silva”, definitivamente da saia de Senna.

Ernesto Vidoca - @dedevidoca – 01.05.2014

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