MAGOS DA NFL

24 JAN 2017
24 de Janeiro de 2017


 

Por: Vitor Nagae Uehara

A vida é feita de fatos, mas esses fatos sempre ganham cor com a magia de algo ou alguém, sem isso a vida seria muito chata (mais do que já o é) e o esporte demonstra muito dessa mágica.

Existem homens que foram dotados com poderes especiais que aparecem em situações únicas e tornam o fato muito mais interessante e aquilo que pode ser apenas uma notícia ou acontecimento, toma cores e se torna algo que ecoa para sempre.

No domingo, 15, uma vitória, mais umas atuações mágicas de Aaron Rodgers levaram a vários comentaristas a compará-lo com o maior esportista americano, isto é, Michael Jordan.

Jordan fazia aquilo que ninguém podia sonhar em fazer, ele desafiava a lógica e a física, tanto que foi criado a ele a marca de “Air” o homem que voa, o homem que enterra saindo de fora do perímetro, aquele que mete aquela bola faltando um segundo, aquela improvável para vencer o playoff.

Rodgers é assim, aquele que sempre tem um coelho na cartola pronto para tirar e ajudar o seu time a vencer. Foi assim contra os Cowboys, numa terceira para 20 jardas, com 12 segundos no relógio, ele constroí uma jogada sozinho que acha o TE Jared Cook para colocar seu chutador em posição para o Field Goal (Chute de 3 pontos) da vitória.

Existe outro tipo de mágica, a mágica da consistência, da obstinação, da vontade ser o melhor e ser competitivo e essa mágica aparece nas mãos de Bill Belichick, treinador do Patriots.

Quando Deus criou a obstinação, foi criado o Belichick, um cara que não sabe fazer outra coisa se não pensar em Football. A criatividade, muitos acham, que é algo nato e não é necessário ser cultivado ou treinado ou abastecido, mas essa não é a verdade e o Bill sabe muito bem disso.

Depois das temporadas, boas ou ruins, o Sr. Belichick descansa alguns dias, curte o campo, a tranquilidade, mas logo depois se enfia em seu escritório, para ver TODOS os jogos dos times que ele irá enfrentar na temporada seguinte, isso mesmo TODOS.

Novas jogadas são criadas, a movimentação do Free Agency (Janela de Transferência) analisada com cuidado e a cada temporada ele surpreende com novas jogadas, novos jogadores. Ele tem como pilar Brady, Gronk, Eldeman, Ninkovich, mas mesmo com eles falham, se machucam, o esquema do time não muda.

Brady é um dos maiores QBs da história do Football, mas sua sorte é ter um Bill Belichick como seu comandante.

Atlanta e a despedida do Geórgia Dome.

Despedidas em geral são duras, principalmente quando se ama algo ou alguém, mas não foi assim para os Falcons.

O Geórgia Dome viu o seu último jogo como o maior jogo de sua história, uma final de conferência, um mito mágico Rodgers de um lado e o melhor ataque, o MVP dessa temporada Matt “Ice” Ryan e Julio Jones, um animal em campo.

A mágia que era a base dos Packers nesse #RunTheTable, isto é, virada da mesa (não via STJD ou tapetão), não se apresentou em Atlanta e os defeitos do time apareceram logo nas primeiras campanhas.

Matt Ryan e sua trupe já entraram em campo para matar, diferente dos Cowboys, já deram o cartão de visitas com uma campanha longa e um TD logo de cara, que mostrou o maior defeito dos Cabeças de Queijo, sua secundária.

O jogo corrido não entrou em nenhum momento, mas não foi necessário, pois os lançamentos de Ryan dizimavam a defesa de Green Bay e o time avançava sem problemas

Rodgers tentou responder, mas não conseguiu chegar na endzone, porém, deixou seu kicker em posição para abrir o marcador dos Packers, mas aí o Crosby, erra um chute que para ele é quase automâtico, a bruxa estava solta e a mágica parecia estar do lado dos Falcons.

Os Falcons conseguiram, mais uma campanha profunda, porém só ficaram no FG fazendo 10 a 0 e os Packers resolveram reagir. Uma campanha muito boa, sólida e em um primeira para 10, o FB Ripkowski consegue uma grande corrida pelo meio para levar quase na endzone, mas sede o fumble e a bola volta para Atlanta e esse lance, para mim, foi determinante.

Dai pra frente brilhou a estrela de Julio Jones com 9 recepções para 180 jardas e 2 TDs, o melhor recebedor de Atlanta começa a achar os seus espaços e com sua força e velocidade simplesmente acabou com a já baleada secundaria de Green Bay

A facilidade foi tanta que o Matt Ryan correu para um TD, coisa que ele não fazia desde a temporada de 2012, parecia treino e os Falcons terminaram o primeiro tempo com 24 a 0.

O segundo tempo começa com os Packers no ataque, tentando recuperar a grande desvantagem, mas nada feito, sem jogo corrido, pois Ty Montgomery não estava bem e os recebdores baleados (Nelson foi pro sacrificio com uma tala na costela) e o seu TE dropando os passes em sua mão, Rodgers não conseguiu levar o ataque a frente e logo depois a jogada que definiu o jogo, um passe de Ryan no slot, encontra  Julio Jones sozinho que quebra um tackle e derruda mais um defensor e corre para o TD, 31 a 0, festa na Geórgia.

Dali para frente foi o chamado “garbage time” os Packers ainda conseguiram 3 TDs, mas nada que pudesse mudar o jogo, final 44 a 21 para Atlanta que esta pela segunda vez no Superbowl. Matt Ryan com mais uma exibição de MVP, mágica mudou de lado, será que continuará com os Falcons no Superbowl?

A Dinastia continua

Poucos chegam a final da AFC, nos ultimos 12 anos apenas Brady, Big Ben, Peyton Manning e Joe Flacco representaram a conferencia americana no Superbowl e mais uma vez seria ou Brady ou Big Ben

Diz a lenda, que em jogo grande é que os craques aparecem, mas existem supresas também, vide Adriano Gabiru no gol do Mundial de 2006 e Belletti na Champions de 2006 e com os Steelers maracando bem Eldeman, Amendola e Bennett, sobrou para Chris Hogan

O recebedor só teve 38 recepções na temporada, porém manteve a média de 17,9 jardas por tentativa e foi uma ameaça em profundidade de Brady. É mais um caso de que ninguém conhecia, mas o senhor Bill Belichick sabe usar

Brady o encontrou com muita facilidade no fundo da Endzone para fazer 10 a 0 Patriots. Os Steelers responderam rápido com uma boa campanha, mas perderam uma das principais armas, o Lev´on Bell (O chicleteiro Bell como diria Rômulo Mendonça), que saiu machucado na campanha. Bell é o melhor RB da liga atualmente correu mais de 300 jardas nos ultimos 2 jogos nesses offs, mas se contundiu bem cedo e deixou o ataque de Pittsburgh bem desfalacado.

De Angelo Willians entrou e ajudou Big Ben a levar a bola até a linha de 5 jardas, depois finalizou com uma boa corrida pelo meio e abriu o marcador para os Steelers, mas o kicker erra o ponto extra e o jogo fica em 10 a 6

Na campamha seguinte Brady controla o relogio, usa o jogo corrido e consegue mais um TD, numa jogadinha engraçadinha o flea flicker que o QB deixa a bola com o RB e ele volta para trás e devolve a bola ao QB, como se fosse uma tabelinha, nisso Brady achou outra vez o Hogan sozinho na endzone para fazer 17 a 6

Na jogada seguinte os Steelers foram para cima e em um ótimo lançamento de Big Ben para Jesse James (isso mesmo) que caiu na endzone e os arbitros maracaram TD, porém voltaram atrás na marcação, pois o TE colocou o joelho no chão na linha de uma jarda, parecia que era só entrar, mas aí os Patriots levantaram o muro, com duas corridas negativas de Willians, Big Ben teve que lançar e o passe foi incompleto, só ficaram no FG e o placar 17 a 9

Na volta do intervalo os Pats voltaram com fome e o ataque de Pittsburgh mingou. Duas campanhas de punts seguidos deixaram os Patriots em condiçoes de começar a fechar o caixão e foi isso que fizeram com um TD e um FG, o jogo foi para 27 a 9 com apenas 2 min para terminar o 3º quarto

Depois a jogada que acabou com o jogo, um fumble de Eli Rodgers na linha de 30 da defesa fez com que os Patriots recuperassem a posse e em quatro jogadas Brady lança Eldeman na endzone para fechar o caixão

O jogo entrou no “garbage time” e os Patriots avaçam pela 9ª vez em sua história ao Superbowl, a 7ª nessa era Bill Belichick e Brady, a dinastia ainda não acabou e New England vai ao Texas como favorito, pois a mágia de Belichick está mais do que viva.

O Super Bowl realizar-se-á em 05.02.2017 às 21:00 hs (horário de Brasília), em Houston, Texas. No intervalo teremos o show de Lady Gaga.

 

By Vitor Nagae Uehara - @vitor_ipj - @webtricolorfc – 24.01.17

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