DOMINGO, UM DIA INCOGNITO

18 NOV 2014
18 de Novembro de 2014

 

Sabe esses dias que você acorda com um cheiro de morno no ar, as ruas estão meio silenciosas, há pessoas voltando da balada do sábado, porém com cara de domingo e algumas que ainda aproveitarão o domingo como se fosse sábado, mas hoje é domingo, é dia de macarrão, poucos carros na rua, sendo que muitos “barbeiros”, cheiro de doces no ar porque as padarias estão a todo vapor, se hoje fosse ontem, tudo seria explicado na frase do “poetinha”, e ele diria: “Porque hoje é sábado”, mas não é sábado, hoje é dia santo, repito, hoje é domingo, as crianças aproveitariam a deixa e completariam dizendo: “Hoje é domingo, pé de cachimbo, o cachimbo é de barro....” e assim por diante, isto é, as crianças que já foram crianças.

O domingo, é um dia de nada que tem tudo, é um dia morno, porem muito quente, não tem nada porque é chamado dia de descanso mas é o dia em que se visita alguém, tipo mãe aos filhos... netos e ao contrario, filhos e netos às mães e avós, o domingo é gostoso porque ele não existe, ele é um dia neutro mas é muito ruim, mas muito ruim mesmo, quando ele acaba, ele é gostoso, porque antes do domingo, vem o sábado, e consequentemente, não trabalhamos no sábado, então podemos afirmar que o dia depois de sábado, é um alivio, chamado domingo, ele é os dois.

Às vezes me pergunto se gosto desse dia, porque não gostaria? É um dia gostoso onde comemos com a família e brigamos com a família, contra e pela família, não deveria haver encontros familiares de domingo, porque ficamos muito juntos e a probabilidade de discussões aumentam, pelo fato de ficarem muito mais tempo juntos, se fosse numa terça, quinta ou segunda talvez, as pessoas trabalham e por isso não podem ficar muito tempo reunidas, logo, não discutem muito e talvez nem se falem, pelo fato de estar na famosa e temida “correria”, o domingo é o slow motion da semana, onde tudo acontece devagar e o tempo parece ser mais lento. É gostoso ir ao parque aos domingos, há quem prefira teatros, cinemas e uma grande maioria enchem os shoppings.

Quando esses domingos são dia das mães, dias dos pais, lotam os restaurantes, tratorias, e outros, você sai dez ou onze horas de casa, chega por volta das onze e meia e tranquilamente vai almoçar por volta das duas, isto com muita sorte, porque esses tais domingos, viram domingos de filas mas tudo isso faz parte do folclore do domingo, até Deus aproveitou o domingo e descansou. O domingo é um dia legal, você deita no sofá, sem censura, a não ser que você ponha os pés, mas nada é mais gostoso do que ouvir alguém dizer: “Tira os pés do sofá”, o genro deita, rola futebol, aqueles tradicionais e folclóricos programas que só passam no domingo, que também é dia de se namorar melhor, enfim, o domingo é o famoso chamado “Dia do macarrão da mama”, fora isso, por que curtimos o domingo? Se o nosso amigo Vinicius de Moraes estivesse vivo, e o domingo realmente fosse um dia legal, ele não escreveria a poesia “Porque Hoje é Sábado” mas como sábio que era, não escreveu “Porque Hoje é Domingo”, haja vista porque o domingo é chato, e pior que o dia inteiro, é o final dele, e que por ventura deveria ser bom, porque acaba, mas aí é que o vem o pior, quando este dia acaba, quer dizer que começa a segunda, que apesar de ser um dia de trabalho e outras coisas mais, dá a expectativa de que dali a cinco dias, será sábado e fim.

 

Ernesto Vidoca - @dedevidoca  - @webtricolorfc - 18.11.2014

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